terça-feira, 19 de novembro de 2013

De onde têm vindo os turistas que estão a fazer de 2013 um dos melhores anos de sempre?


Os dados mais recentes divulgados pelo INE (até setembro de 2013) revelam quais as origem, por nacionalidade, que mais têm aumentado o número relativo de turistas enviados para Portugal face ao que sucedeu em 2012. Os países com maiores taxas de crescimento de turistas a visitar Portugal estão a ser os seguintes (ver gráfico do INE aqui reproduzido):
  • EUA: +16,4%
  • Irlanda: +13,1%
  • França: +12,4%
  • Alemanha: +11,5%
  • Reino Unido: +10,5%
  • Em sentido inverso o maior destaque vai para a Itália: -8,7%
origem turismoNa presente edição das estatísticas da atividade turística o INE faz uma análise mais detalhada precisamente sobre o turista norte-americano. Eis um excerto:
Os EUA têm vindo a aumentar a sua importância relativa no grupo dos principais mercados emissores, tendo representado 2,4% das dormidas de não residentes em 2012.
A evolução deste mercado ao longo dos últimos anos tem sido positiva. Em 2005 observou-se um ligeiro acréscimo (+0,5%), que se acentuou nos dois anos seguintes (+7,8% em 2006 e +4,6% em 2007). Em 2008 e 2009 verificou-se uma forte inversão de comportamento (-13,0% e -6,7%), possivelmente associada à crise económica. Em 2010 iniciou-se uma recuperação (+8,8%), que se estendeu a 2011 (+6,1%) e 2012 (+8,3%).
(…)
Em 2012, os estabelecimentos hoteleiros alojaram 303,3 mil hóspedes residentes nos EUA, que originaram 662,9 mil dormidas, representando crescimentos de 9,0% e 8,3%, respetivamente. A estada média foi 2,2 noites, mantendo-se sem alteração há 4 anos consecutivos.
Lisboa foi o principal destino deste mercado (60,9% das dormidas), secundada pelo Algarve (10,6%). Em Lisboa as estadias prolongaram-se por 2,1 noites em média e no Algarve por 2,8. Na Madeira as permanências foram superiores (4,2 noites, em média).
Quanto ao tipo de alojamento, a procura recaiu principalmente nos hotéis (82,5% das dormidas do mercado), nomeadamente na categoria de 4 estrelas, que abarcaram aproximadamente metade das dormidas em hotéis. As estadias mais prolongadas ocorreram nos apartamentos turísticos (4,1 noites).
Setembro e outubro foram os meses que concentraram maior número de dormidas do mercado em 2012 (13,5% e 12,2%, respetivamente). (…)”


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Reconstruir o Interior destruindo a Interioridade: para uma estratégia activa de inclusão de actores

 

Interior: da marginalidade geográfica à marginalidade sócio-económica


Qual a realidade que se esconde, hoje, por detrás da expressão, tão utilizada como imprecisa, de «Interior»? A diversidade de discursos que o invocam e a variedade de contextos em que o fazem dificultam qualquer tentativa de definição. Apesar disso, parece legítimo afirmar que a «interior» e a «interioridade» se associam basicamente três elementos: uma situação (subdesenvolvimento), uma causa principal (isolamento e dificuldades de acesso às áreas mais dinâmicas, localizadas no litoral), uma consequência particularmente grave (a desertificação, considerada nas suas várias componentes). Envolvendo estes três elementos surge um discurso marcado por uma cultura de fatalismo e de apelo à intervenção assistencialista do Estado.
A sequência dos vários factores referidos no parágrafo anterior é bem conhecida. A marginalidade geográfica das regiões do Interior, acompanhada por um visível desinteresse por parte do poder central por estas áreas, levou a uma persistente sangria de gente, nomeadamente daqueles que, pelo seu capital escolar, cultural ou mesmo económico, mais necessários seriam para combater a situação deficitária existente. Este despovoamento, agravado por uma crise profunda do sector agrícola, estimulou o abandono dos campos e a concentração das populações em algumas cidades de média dimensão, contribuindo, lenta mas inexoravelmente, para romper equilíbrios ambientais, sócio-demográficos e económicos historicamente sedimentados. Gera-se, assim, um círculo vicioso marginalidade (geográfica)/despovoamento/abandono dos campos/marginalidade (social e económica) que conduz ao agravamento das situações de subdesenvolvimento, sobretudo em termos relativos mas mesmo, nalguns casos, em termos absolutos.
Será esta imagem do «Interior» adequada aos dias de hoje? A verdade é que o conjunto de elementos invocados e o modo como são articulados constituem mais uma visão-memória do que um retrato rigoroso da situação actual. É certo que os vários elementos sublinhados correspondem a aspectos a levar em conta por todos os que pretendem contribuir para a requalificação das áreas ditas do Interior. É certo, também, que o círculo vicioso que foi enunciado continua a operar em alguns contextos. Importa, no entanto, referir que uma intervenção adequada nestas parcelas do território nacional implica um entendimento distinto destas matérias. Trata-se, no essencial, de construir um discurso sobre o «Interior» que, incorporando as perspectivas anteriores como aspectos essenciais para a compreensão do processo histórico que conduziu à realidade actual, saiba, ao mesmo tempo, abrir espaço para a emergência de uma outra perspectiva.
 
Interior: de território a processo de subdesenvolvimento
A «nova análise» do Interior terá de relativizar ou abandonar alguns aspectos considerados até há pouco como essenciais, ao mesmo tempo que introduz novas dimensões e reequaciona algumas das relações de causalidade usualmente apontadas. É que o grande problema do Interior, hoje, é ter sido «interior» ontem. Por outras palavras, o subdesenvolvimento que aflige estas áreas do país é mais uma consequência das situações de isolamento, encravamento e deficiente acessibilidade do passado do que do presente, mesmo nos casos em que estes condicionalismos persistem com significado. O alvo de atenção deverá ser, assim, a marginalidade sócioeconómica resultante do círculo vicioso acima identificado e essa marginalidade apenas se combate com resultados duradouros se forem criadas condições realmente propícias à emergência e consolidação de actores - individuais e colectivos; públicos, associativos e privados - qualificados e qualificantes. Em suma, um caminho mais promissor, tanto do ponto de vista analítico como do ponto de vista da formulação de políticas, para reconstruir o Interior e destruir a interioridade, sugere a necessidade de deslocar a questão «Interior» para uma outra, a da avaliação das condições de desenvolvimento em áreas rurais vítimas de processos históricos de marginalização. Esta inflexão não supõe o desaparecimento da interioridade como condicionalismo físico relevante. Supõe, isso sim, que a prioridade de actuação deve orientar-se para a alteração das condições estruturais de desenvolvimento, as quais apenas parcialmente se articulam, positiva ou negativamente, com questões de acessibilidade; supõe, igualmente, colocar as pessoas, as instituições e as organizações no centro do debate, porque são elas que estimulam, constroem ou, pelo contrário, impedem o desenvolvimento.
Esta inflexão analítica tem outra vantagem: a de questionar a natureza da unidade e da especificidade globalmente atribuídas a estas áreas, na medida em que favorece o reconhecimento da existência de situações diversificadas no seu seio. O Interior não corresponde a um espaço homogéneo, mas antes a um território que partilha dimensões importantes de um passado e de uma memória comuns. De facto, e do ponto de vista das características actuais, não existe um Interior, mas vários. E estes diversos «Interiores» não se confinam à faixa não litoral do país nem dela detêm o monopólio. «Interior» e «litoral», enquanto categorias tradicionais associadas a determinadas características contrastantes (isolamento v. acessibilidade; envelhecimento v. juventude; declínio v. dinamismo económico; densidade populacional v. desertificação, etc.), misturam-se no país de tal forma que situações de «Interior» podem ocorrer junto da faixa litoral enquanto realidades «litorais» emergem, ainda que pontualmente, nos distritos vizinhos de Espanha. As actuais condições de desenvolvimento possuem, de facto, uma geografia complexa, que dificilmente se compadece com as clássicas, e simplistas, dicotomias entre o Norte e o Sul, o Litoral e o Interior.
 
Densidade relacional, organização colectiva inteligente e desenvolvimento territorial
E, no entanto, o Interior existe! Não pelas razões tradicionalmente invocadas, mas pelo facto de uma vasta faixa rural que se estende da linha Gerês/Montesinho à serra Algarvia partilhar um traço distintivo: a existência de espaços extensivamente caracterizados por uma baixa densidade relacional. Esta é, justamente, a factura mais pesada que o chamado Interior paga pelo processo de marginalização que sofreu durante tantas décadas.
Uma população envelhecida e globalmente pouco qualificada, um tecido empresarial fragmentado e atomizado, um aparelho administrativo público constituído por entidades demasiado auto-centradas e sem real poder de decisão, um movimento associativo incipiente, tanto do ponto de vista das empresas como dos cidadãos: tudo isto reflecte a realidade de áreas cuja escassez numérica e debilidade quantitativa de actores constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento. Mais grave, porque mais decisiva, do que a reduzida densidade física, fruto dos processos de desertificação, é a incapacidade de os (poucos) actores existentes se qualificarem e se organizarem colectivamente, partilhando esforços e informação, produzindo conhecimento, estimulando inovações. É sabido que soluções organizacionais de tipo sistémico podem contrariar ou mesmo contornar fragilidades estruturais decorrentes da existência de limiares populacionais baixos: serviços de carácter ambulatório, movimentos associativos de base territorial, colaboração inter-institucional e intermunicipal, participação em redes de cooperação ou estabelecimento de parcerias e de alianças estratégicas ao nível regional são alguns dos exemplos possíveis neste domínio. Trata-se, afinal, de caminhar no sentido de encontrar soluções em que a interacção entre actores constitui não só uma via de combate ao isolamento mas sobretudo um veículo de constituição de limiares dinâmicos de massa crítica, uma oportunidade de qualificação dos actores envolvidos, uma fonte de criatividade colectiva.
Reconstruir o Interior destruindo a interioridade implica, pois, o desenvolvimento de estratégias activas de inclusão: mobilizar actores individuais e colectivos, integrá-los em objectivos comuns e em linhas de rumo estrategicamente partilhadas, co-responsabilizá-los na missão de criar condições de desenvolvimento para as regiões onde vivem e actuam. E, nesta tarefa específica, cabe ao Estado um papel crucial, impulsionando directa e indirectamente estas estratégias ao mesmo tempo que combate com vigor a cultura assistencialista. Como organizar, então, de forma mais eficiente os actores do Interior, conferindo a esta parcela do país a inteligência colectiva que necessita? Se as respostas são múltiplas, os caminhos a explorar ainda são mais numerosos. Quanto à preocupação principal, ela está bem identificada: evitar que à interioridade de ontem, apesar de tudo em vias de resolução, se juntem agora as novas interioridades decorrentes da exclusão da sociedade da informação e dos processos de mundialização. Num mundo crescentemente interactivo não existe lugar para realidades fechadas ou para soluções paroquiais. A opção é, pois, entre actor e espectador de um espectáculo cujo palco é cada vez menos de âmbito nacional; e é justamente em relação a esse palco que se definem as novas centralidades e, por contraste, as novas interioridades. O jogo entre integração e exclusão não só se tornou mais difícil como mudou de escala. Pena seria que uma visão limitada de combate à «interioridade de ontem» levasse a ocultar o perigo das novas interioridades que se adivinham.
http://jorgesampaio.arquivo.presidencia.pt/pt/img/1x1.gif


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Fora de si

Fora de si

Muitos não têm o coração dentro em si, senão fora de si e muito longe. Fora de si, porque não cuidam em si, e muito longe de si, porque todos os seus cuidados andam só atentos e aplica­dos às coisas temporais e mundanas que amam.
Padre António Vieira

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013 EUA não espiaram em Portugal porque havia tantas escutas que não conseguiram espaço na linha


EUA não espiaram em Portugal porque havia tantas escutas que não conseguiram espaço na linha

«Ó Snowden, já conseguiste traçar o primeiro-ministro português?», perguntava intrigado um agente da NSA, para o seu colega Snowden, o espião que entretanto virou porteira. «Não, dá sempre interrompido, a linha deve estar cheia», terá explicado Snowden.

E estava mesmo. Segundo o Imprensa Falsa apurou, os norte-americanos tentaram espiar o Governo e os líderes da oposição, em Portugal, mas já havia tanta gente a escutá-los que os yankees nunca conseguiram espaço na linha.

«Ó filha, mas o que é que estás a fazer, anda jantar que isto frio não tem graça nenhuma!?», pedia há uns meses Simplício para a sua  Simplícia. «Cala-te, Simplício, que estou a escutar o Passos Coelho e ele está a discutir com o Portas», explicou Simplícia, uma das pessoas que estava a escutar o primeiro-ministro, para além da Polícia Judiciária, Serviços Secretos, Ministério Público, cabo Simplício da GNR de Mértola, PSP, Polícia Marítima, SEF, jovem que vai no autocarro sem nada para fazer, Polícia Municipal, o vigilante da firma Calçado Moderno, entre outros. 

Pedir mais austeridade !!!!

Pedir mais austeridade com estes exemplos... é no mínimo, escabroso....

 
1º Exemplo
-   Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00                 (291.290,417 Euros);
-   O Presidente da TAP recebeu, em 2009,                                624.422,21 Euros;
-   O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00   (151.471,017 Euros);
-   Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
-    O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cadaportuguês.

2º Exemplo
-  A Chanceler Ângela Merkel recebe cerca de              220.000,00 Euros por ano;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu         560.012,80 Euros;
- O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.

3º Exemplo
-  O Primeiro-Ministro Passos Coelhos recebe cerca de                                    100.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS ganha por mês 22,3anos
de salário médio de cada português.

4º Exemplo
- O Presidente da República recebe cerca de                                                       140.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês18,4 anos
de salário médio de cada português;

5º Exemplo
-  O Presidente francês recebe cerca de                                                                 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
- O Presidente de Administração dos CTT Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30anos
de salário médio de cada português.

6º Exemplo
-  O Primeiro-Ministro David Cameron recebe cerca de              250.000,00 Euros por ano;
-  O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alemanha Após a vitória eleitoral de Merkel


Alemanha Após a vitória eleitoral de Merkel

Após a vitória esperada da chanceler Angela Merkel nas eleições federais, a Alemanha continuará a impulsionar a economia da região, mas o crescimento mais lento vai andar de mãos dadas com o aumento das  despesas. Também não é a Alemanha por mais tempo imune ao declínio da zona euro.

Durante o verão, os líderes europeus discutiam sobre as eleições alemãs, que viam protelando a tomada de decisão europeu.
Na medida em que Bruxelas está em causa, a desaceleração da formulação de políticas da zona euro envolveu grandes questões - da responsabilidade conjunta da dívida contestada em toda a região a enorme desemprego juvenil nos países do Sul da Europa - e questões menores, incluindo o acordo de compromisso da UE para limitar as emissões de automóveis que Merkel evitado, porque vai doer principais produtores de automóveis alemães.
Neste ponto de vista por trás das fachadas, a chanceler Angela Merkel apareceu como um Bismarck reencarnado - um conservador "chanceler de ferro" que unifica Alemanha, tem pouco interesse em embaraços estrangeiros e está a criar um novo equilíbrio de poder na Europa.

Medo de anti-Merkel

No entanto, as disputas não se transformar em protesto organizado. Enquanto a Europa do Sul vê políticas de Merkel quanto economicamente destrutivas e Norte da Europa sofre de uma fadiga resgate, poucos europeus querem um anti-Merkel à cabeça Alemanha.
Enquanto os partidos maioritários tentaram silenciar AfD até a morte, o grupo voltou aos holofotes em meados de Agosto, quando o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble empurrou o resgate à Grécia de volta à agenda.
Após as eleições, as políticas de Merkel ter sido justificada na Alemanha e em boa parte da Europa.

Através da crise mundial, a Alemanha saiu melhor do que outras economias centrais da Europa. Mas, nos últimos dois anos, o país deixou de ser imune ao impacto adverso da crise persistente no Ocidente. Como as perspectivas de crescimento nos grandes mercados emergentes diminuíram, as exportações alemãs têm tido um sucesso.
Como o crescimento vai desacelerar gradualmente na Alemanha, orçamentos equilibrados vão significar aumento da polarização de  despesas, que já é agravada pelo aumento da pobreza urbana e o rápido envelhecimento da população. As eficiências económicas estão sendo alcançados à custa do aumento dos custos sociais.
Como Bruxelas diz, a Alemanha está confiante no aumento do consumo privado. Mas este último não pode compensar a desaceleração do crescimento das exportações. No quarto trimestre de 2012, o crescimento do PIB contraiu. No primeiro semestre de 2013, foi mais lento do que o esperado. Em 2013, é provável que se mantenha em torno de 0,5 por cento.